PROGRAMA  TEACHH

 Autismo e os Princípios Educacionais do Programa TEACCH

Preparado para a Associação dos Amigos do Autista de Sorocaba

Cristina Aparecida Hayashida Lopes Agosto / 2001

 
Autismo O TEACCH

Introdução

Histórico

Conceitos

Epidemiologia

Diagnóstico e Classificação

Etiologia

Intervenções (tratamentos)

Tratamento Educacional

O teacch

Introdução

Histórico

Conceitos Básicos

A “Cultura Autista”

Como abordar os déficits

Principais Pontos do Método

 

Introdução

  • Por que o Autismo é tão estudado ?

  • Desafios

  • Interrogações

  • Busca pela compreensão

 
Introdução - Doenças e Síndrome  
Apesar de todos os avanços conceituais que possibilitam o diagnóstico cada vez mais precoce, e da maior divulgação sobre as características desta síndrome para a população em geral, estudos ainda são escassos no que concerne à instrumentalização adequada que embase um plano de ação capaz de interferir de modo significativo alterando a realidade dessas pessoas.
Histórico  

1906 – Plouller – introduziu o adjetivo “autista” na literatura psiquiátrica – demência precoce -> esquizofrenia

1943 – Leo Kanner – pediatra e psiquiatra infantil da Johns Hopkins University (EUA) estudou grupo de 11 crianças - Distúrbio Autístico do Contato Afetivo

1944 – Hans Asperger, médico austríaco – estudo sobre psicopatia autística

1947 – Kanner criou o substantivo e passou a falar em Autismo Primário e Secundário – algumas especulações do 1 seu trabalho se mostraram incorretas

1949 - Rank – desenvolvimento atípico do ego

1955 – Kanner e Eisenberg – “explorações bioquímicas recentes podem abrir novas vias de compreensão sobre a

natureza fundamental da síndrome autística".

1956 – Bender – pseudo-retardo, pseudo-deficiente

1963 – Rutter -  psicose infantil, psicose de início precoce

1976 – Ritvo – problema de desenvolvimento – déficits cognitivos

1988 – Gillberg (Suécia) fatores neurobiológicos

1991 – Uta Frith e Baron-Cohen- teoria cognitiva – teoria da mente

1994 – Francesca Happé (UK) – abordagem tríplice – aspectos biológicos, cognitivos, e os de comportamento

 

Desde o início – 3 concepções da síndrome:

  • Psicológica

  • Funcional

  • Biológica

ENFOQUES ATUAIS  

Se prendem a idéia de desenvolvimento

Compreender :

O por quê ?

Para que ?

Onde e quando

Ocorreram transtornos

 
CONCEITO  
Segundo a “Board of Directors of the National Society for Autistic Children”, atualmente denominada ASA (1977), “Autismo é uma inadequacidade no desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. É incapacitante e aparece nos três primeiros anos de vida. Acomete cerca de cinco entre cada dez mil nascidos e é quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. É encontrada em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. Não se conseguiu provar até agora nenhuma causa psicológica no meio ambiente dessas crianças que possa causar a doença. Os sintomas são causados por disfunções físicas no cérebro, verificados pela anamnese ou presentes no exame ou na entrevista com o indivíduo”. (citado por Gauderer, 1993).  Supressão dos termos incapacitante e doença Gillberg(1990) citado por Schawartzman em 1995 “Autismo é hoje considerado como uma síndrome comportamental com etiologias múltiplas e curso de um distúrbio de desenvolvimento. É caracterizado por um déficit na interação social visualizado pela inabilidade em relacionar-se com o outro, usualmente combinado com déficits de linguagem e alteração de comportamento”.                           
Principais Características  

Não há um único adjetivo que possa descrever todo o tipo de pessoa portadora da Síndrome de Autismo porque há muitas formas dessa desordem

  • Alguns são agressivos consigo mesmo e/ou com os outros

  • Aproximadamente metade não apresentam linguagem ou apresentam pouca, repetindo palavras e frases (ecolalia) e outros podem apresentar linguagem normal

  • Não há teste fisiológico no momento o diagnóstico presença de no. Característicos de comportamento

  • Existem diferentes definições de Autismo utilizadas em diferentes pesquisas na investigação epidemiológica. Assim, dependendo dos critérios definidos em cada definição, variam os resultados obtidos. Quando utilizam-se critérios rigorosos para a definição de Autismo, em geral são relatadas taxas de prevalência de 2 casos para 10.000 habitantes. Quando define-se com critérios menos rígidos, as taxas de prevalência sugeridas são de 4 a 5 casos por 10.000.

Diagnóstico e Classificação  
Instrumentos de Mensuração :
  1. Testes Mentais
  2. Escalas Diagnósticas
  3. Critérios Diagnósticos

1) Testes Mentais – necessário adaptar

    2) Escalas de Avaliação

  1. Diagnostic Checklist for Behavior Disturbed Children

  2. Autism Behavior Checklist (ABC)

  3. E-ERC e ERC-N

  4. Psychoeducational Profile. ( PEP)

  5. Childhood Autism Rating Scale (CARS).

Diagnóstico e Classificação  

3) Critérios Diagnósticos

DSM – Manual de Diagnóstico e Estatística da APA

  • 1o. em 1952

  • DSM II-R (1987) distúrbios globais de desenvolvimento

  • DSM IV (1995) – Transtornos Invasivos do Desenvolvimento

3) Critérios Diagnósticos

  • CID – Classificação Internacional de Doenças – OMS

  • CID-10 - 1993

DSM

X

CID

Visão +  ampla dos comportamentos e característica Visão +  ampla dos comportamentos e características

 

Definição e caracterização da doença, uso + clínico

Diagnóstico Pessoa 

Dinâmico e Pessoal

 

Classificação

Doença

Estática e Impessoal

Diagnóstico Diferencial
Outras desordens associadas com comportamentos autísticos:
  • Asperger Syndrome, 

  • Fragile X Syndrome,

  • Landau-Kleffner Syndrome,

  • Rett Syndrome,

  • Williams Syndrome.

O Diagnóstico é Importante?

Por que é importante para o professor o conhecimento dos critérios diagnósticos ???

 

Etiologia Causas

O  pensamento vigente mais coerente é o da multicausalidade

  • Influência Genética

  • Vírus

  • Vacinas

  • Toxinas e poluição.

Anormalidades Físicas

 

1.Disfunções na estrutura neural do cérebro

2.Bioquímica anormal do cérebro

Intervenções (Tratamento)

“quanto antes se iniciar o tratamento do autismo melhor serão os resultados ”

                                              * Precoce e intensivo

Não existe um tratamento padrão universalmente aceito para o autismo , cada método tem seus críticos . Estes métodos de tratamento se agrupam em categorias ou grupos generalizados :  

  • Bioquímico (alergias a comidas, medicação , alimentação e suplementos vitamínicos )

  • Neurosensorial (integração sensorial (SI) , sobre estimulação e aplicação de padrões , integração auditiva (AIT) , comunicação facilitada (FC) , terapias relacionadas com a vida diária ).

  • Psicodinâmico (terapia de abraços, psicoterapia e psicanálises .

  • Condutual (Ensaios Incrementais ( Lovaas)  modificação da conduta (ABA), TEACCH ).

Intervenção Educacional

 

Os objetivos das intervenções educacionais para crianças com Autismo serão diferentes, a depender do grau de comprometimento nas diversas áreas de atuação. Lidando com prejuízos cognitivos importantes, o investimento do profissional deverá ser direcionado, mais especificamente, na busca do aumento da comunicação e interações sociais, na diminuição das alterações comportamentais (estereotipias, hiperatividade etc.), na maximização do aprendizado e independência nas atividades de vida diária.

TEACCH - Introdução

"Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children"

 

Segundo a Divisão TEACCH da Universidade da Carolina do Norte nos EUA , a  missão do método é: 

Permitir aos indivíduos autistas participarem o mais possível significativamente e independentemente na comunidade

TEACCH - Pequeno Histórico

Meados anos 60 - no Depto de Psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill -  crianças com autismo (ou na  época psicose infantil)  - base psicodinâmica 1972 – Eric Schopler – psicólogo – distúrbio de desenvolvimento – terapias baseadas em programas educacionais  - A sigla Teacch é marca pertencente ao estado da Carolina do Norte Atendimento gratuito – serviços, treinamento e pesquisa.

 

Conceitos Básicos

Teacch é  um conceito, uma abordagem 

  • Conhecimento do Autismo

  • Técnicas empíricas – pesquisas experimentais

  • Decisões baseadas na avaliação da criança

  • Individualização

  • Orientação para a independência

  • Pais como co-terapeutas

Autismo e a “Cultura Autista”

O Autismo :

  • Desordem de compreensão

  • Orgânico e de desenvolvimento

  • Complexo e Variado

  • Idéia de continuum autista

  • Co-existe com outras deficiências

  • Os melhores programas são individuais e educacionais – os professores são os principais terapeutas

Autismo e a “Cultura Autista”   Nossa Cultura

Cultura Autista

Falar , explicar

Seguimos Modelos

Aprendemos conceitos

Grupos - Ambiente Natural

Guia Social - desenvolvimento da comunicação

Visual, experimental

Aprendem fatos concretos

Um-para-um Ambiente controlado

Rotinas, hábitos sistemáticos de trabalho

habilidades de comunicação - Intermediadas

Como abordar os déficits  
COGNITIVO – atenção – organização – generalização

 2- Diferenças Sensoriais

  • Ensinar novas habilidades no um-para-um
  • Organização visual
  • Seqüencia de atividades - programação
  • Tarefas organizadas inicio e fim  claros.
  • Reduzir os estímulos na sala de aula  
  • Ajustar-se ao estilo sensorial da criança  
  • Enfoque visual
3 - Diferenças Sociais - Socialização empatia

 4 - Comunicação

  • Ajustar a demanda social e o nível de contato ao tolerado pela criança  
  • Tornar a interação social mais concreta e visual quanto possível
  • Ensinar habilidades sociais específicas
  • Ajudar a entender o processo de comunicação – a troca
  • Ajudar a entender o processo de comunicação – a troca
  • Começar com o sistema atual da criança
  • Usar enfoque visual  - mesmo p/ os verbais
  • Ensinar conceitos significativos em contexto significativo
5 - Comportamentais

Principais pontos do Método

  • Comportamentos inapropriados surgem quando estão com medo, entediados, quando não entenderam o que foi solicitado
  • ou quando o que foi solicitado é muito difícil
  • Reduzir estímulos
  • Gerenciar mudanças
  • Estrutura Física
  • Programação diária
  • Sistema de trabalho
  • Rotinas
  • Apoio Visual

Estrutura Física

 

 

Estrutura Física

   Atividade Independente

  • Limites Físicos e Visuais bem claros
  • Minimizar distrações visuais e auditivas
  • Os limites não são para conter
  • Mesa um-para-um
  • Mesa individual de trabalho
  • Painel de transição
  • Área de lazer
  • Mesa de grupo

Estrutura Física

Mesa um-para-um

 

Atividade Independente

Programação Diária  
  • Indica visualmente ao estudante quais tarefas serão realizadas
  • Instrumento de apoio para ensinar o que vem antes, o que acontece 
  • depois, proporcionando o planejamento de ações e seu encadeamento numa seqüência de trabalhos
  • Formas de apresentação
  •  - Com objetos
  •  - Com figuras (Desenhos ou Fotos)
  •  - Figuras e descrições
  •  - Por Escrito
  •  - Nível de entendimento , duração (limites da criança).
Sistemas de Trabalho  
  • Tarefas que devem desenvolver a capacidade para realizar atividades de forma independente

  • Estabelecer relação causa-efeito, noção de seqüência (início / meio / fim)

  • São individuais e devem informar ao estudante :

  • Qual é a atividade

  • O quanto deve trabalhar (quantas vezes, quanto tempo)

  • Como saber que terminou e o que fazer depois de terminada a tarefa

  • O que vem depois

  • São ensinados primeiramente nas sessões individuais e após apresentar

  • domínio na realização passará a fazê-los de forma sistemática

Rotinas
  • Possibilitam o entendimento do que está ocorrendo

  • Propiciam confiança e segurança

  • Autistas têm boa memória à isso deve ser usado a fim de favorecer o aprendizado

  • As dificuldades de generalização indicam a necessidade de rotina clara e previsível

 
Apoio Visual  
  • A estrutura visual colabora porque dá informações a nível de entrada visual  que é um ponto de habilidade do autista
  • Se baseia em:
  • a) Organização Visual  : os materiais e o espaço devem apresentar uma Organização Visual. Separar materiais delimitar área de trabalho na mesa
  • b) Clareza Visual : Enfatizar os pontos importantes do trabalho, tornar visíveis os conceitos através e cores/rótulos e outras dicas visuais
  • c) Instruções Visuais : indicam o que fazer e em que seqüência.

 *  A comunicação envolve muito mais que linguagem 

     verbal, pode até não incluí-la.  

 

*   Portadores de autismo apresentam déficit de atenção

     organização e processamento à impedindo a              

     compreensão de regras e padrões de linguagem à 

     portanto iremos buscar sistemas alternativos de 

     comunicação : esta é a função básica do apoio visual.

PECS Picture Exchange Communication System

Sistema de Intercâmbio de Imagens

  • Temple Grandin e outros autistas frequentemente dizem que “pensam em figuras”  enquanto que o resto de nós pensamos através de palavras.

  • Desenvolvido há 12 anos por Lori Frost e Dr. Andrew Bondy

  • Primeiramente usado pelo Programa de Autismo do estado de Delaware (EUA).

  • Amplamente reconhecido por se focar na INICIATIVA como componente  da comunicação

  • Não exige materiais complexos ou caros, criado com educadores,  terapeutas e pais , podendo ser prontamente usado em várias situações.

  • Crianças pequenas que usam PECS também começam a desenvolver a fala.

  • As crianças são ensinadas a se aproximar (chegar perto) e dar uma imagem (foto) de um objeto desejado, a seu interlocutor, para obter tal objeto

  • Disponibilize ou crie um  Sistema de Símbolos (desenhos em preto e branco ou coloridos , fotos comerciais, fotos pessoais, porta-imagens,

  • As imagens devem estar facilmente disponíveis durante o treinamento.

  • FASE 1 – O INTERCÂMBIO FÍSICO
  • FASE 2 – DESENVOLVENDO A ESPONTANEIDADE
  • FASE 3 – DISCRIMINAÇÃO DE FOTOGRAFIAS

  • FASE 4 – ESTRUTURA DA ORAÇÃO

  • FASE 5 – RESPONDENDO A “O QUE QUER”

  • FASE 6 – RESPOSTA E COMENTÁRIO ESPONTÂNEO

A elaboração do PIE deverá seguir os seguintes passos :

Segundo equipe da ASTECA

  • 1o. Passo  -  a  observação da criança em situações livres e dirigidas

  • A aplicação do roteiro e observação baseada na Escala de Desenvolvimento  Portage

  • Seleção os objetivos a serem trabalhados

  • Levar em consideração pontos fortes e fracos do aluno

  • Selecionar estratégias para alcançar os objetivos

  • As estratégias devem estar baseadas nos interesses da criança (o fato do indivíduo autista aparentemente não demonstrar interesse pelo ambiente que o rodeia não significa que este interesse não exista)

  • Os objetivos devem ser funcionais, isto é , ter lugar na vida do aluno

  • Acompanhamento e Avaliação

Plano Individual de Ensino (PIE)

Avalia e estabelece objetivos para as seguintes áreas:

 

  • Sociabilização

  • Linguagem Compreensão

  • Linguagem Emissão

  • Cuidados Próprios

  • Cognitivo

  • Psicomotora              

INTER-RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO

Eles podem não se lembrar  do que você disse

Eles podem não se lembrar do que você fez

Mas eles sempre se lembrarão do que  os  fez sentir

Bibliografia:

AUTISMO e Transtornos Invasivos do Desenvolvimento - Revisão histórica do conceito, diagnóstico e classificação -José Raimundo da Silva Lippi . Anotações do Seminário apresentado por Jack Wall no IV Encontro de Amigos do Autista – 1997 . Livro Autismo Infantil – J.Salomão Schwartzman e col. Livro Prof. Márcia – ASTECA – Brasília.

“Não há palavras no dicionário deles, mas a linguagem universal do amor também é não-verbal. Para se expressar através dela, há os gestos, a expressão corporal, a vibração sutil, invisível da emoção, da solidariedade, da paciência , da aceitação da pessoa como ela é e não como queremos que ela seja. É de se presumir que eles estejam fazendo tudo o que lhes seja possível, dentro de suas limitações. Com um pouco de boa vontade de nossa parte, talvez concordem em tocar a mão que estejamos oferecendo a fim de saltarem o abismo que nos separa... ”

Se você não puder curar a criança autista, ame-a . De todo  o seu coração , com todo o seu amor e toda a sua aceitação. Alguma tarefa importante ela está desempenhando junto de você, certamente para proveito de ambos. 

Uma luz transcendental que irá iluminar uma felicidade com a qual você nem imaginou que pudesse existir : Confie, trabalhe e espere.  Que Deus os abençoe! “